Educação Midiática II

Seguimos aqui nesse percurso compartilhado, como já tinha comentado na parte I esse passeio também vai reunir algumas de minhas próprias encruzilhadas…

Na segunda live (dia 20/10) foram apresentados alguns dos eixos norteadores da proposta do Educamidia, referentes ao desafio da formação de leitores “equipados” para ler o mundo de hoje.

Algumas contribuições dos participantes do curso foram reunidas em um wakelet (agradeço a generosa menção ao meu texto sobre ativismo).

Em seguida no Classroom foram postados os temas da terceira semana do curso: Leitura crítica & decodificação.

Buscas

Foi feito um glossário interativo no Sutori com informações interessantes sobre os sistemas de busca. Um vídeo detalha de forma acessível aspectos técnicos do funcionamento do Google e do Bing. Também tem uma dica com sistemas de busca alternativos, em geral menos invasivos e com regras mais claras quanto a privacidade de nossas informações.

Apenas gostaria de acrescentar, como uma forma de aprofundar uma pesquisa a possibilidade de usar a busca em acervos de jornais (como o da Folha) ou em acervos acadêmicos, como os listados nessa postagem.

Achei interessante a metodologia do Mike Caulfield sobre como checar a confiabilidade de fontes.

Acho muito importante o primeiro passo: pausar, esperar um pouco antes de compartilhar, desacelerar a propagação, respirar… e se ainda assim você considerar relevante compartilhar uma informação, passar para as próximas etapas.

vídeo explicando sobre “leitura lateral” também foi muito interessante, sem dúvida não podemos nos limitar apenas ao que vemos em um site. E uma forma que eu gosto de usar para checar uma fonte ou site, é pesquisar a whois, ou seja quem registrou a url do site, o exemplo abaixo ilustra bem o alcance dessa informação.

Foi legal ver o vídeo da Kizzy Terra (apesar de achar desnecessário essa mania de cortar na ilha de edição as pausas e a respiração naturais de uma pessoa falando). A relação entre emoções e engajamento usada pelos algoritmos para nos sequestrar a atenção é uma das coisas mais perversas nesses ecossistemas informativos. Uma boa dica: cuidado com suas emoções quando for reagir a alguma postagem.

Atualmente a privacidade se tornou quase uma utopia, eu já conhecia a função dos cookies, mas ainda não sabia do papel dos pixels, essa postagem ajuda a entender a diferença e talvez até ajude a ter um pouco mais de cuidado.

Bolhas

O segundo termo desmembrado no glossário foi a Bolha informacional. Os vídeos da DW (link1 e link2) ilustram bem como funcionam nossas timelines. Tentei sensação de viver nessas bolhas na imagem que abre essa postagem (por sinal só depois vi que a imagem original é do iStock, isso graças ao buscador de imagens TinEye). Mas em geral as análises sobre esse fenômeno, parecem se concentrar no papel meio maquiavélico dos algoritmos, deixando de levar em conta que também são nossas próprias escolhas que programam essas bolhas. Manuel Castells já falava dessa tendência comportamental, que ele chamava de “individualismo em rede”, no seu clássico livro Galáxia da internet (2001), ou seja no DNA das bolhas está nosso narcisismo, Mas isso não significa necessariamente um problema, como diz atualmente Castells.

TED do Eli Pariser tem algumas imagens muito interessantes, principalmente a ideia de “dieta informacional”, para ter uma alimentação equilibrada precisamos saber o que comemos, como nos lembra Sonia Hirsch. Também é uma prática saudável conhecer a composição da informação que estamos consumindo. Ainda que de vez em quando alguma porcaria seja irresistível…

Mais um conjunto de oficinas foi oferecido: Números que Contam Histórias com Raquel Stenzel e Diego Trujillo; Formar Leitores, Formar Cidadãos com Clarissa Bezerra e Desvendando a Wikipedia com Maura Marzocchi.

Escolhi a oficina da Maura, ela começa com uma dica muito bacana: os 6 princípios.

A atenção é muito especial para mim, principalmente depois que comecei a meditar. E na minha pesquisa de doutorado tentei aprofundar como nossa atenção está se transformando.

Sou um colaborador eventual da Wikipedia e acho que é um recurso ainda subutilizado nos espaços formais de ensino, acho inclusive que muito de seu conteúdo em português poderia ser ampliando e melhorado com ajuda de estudantes e pesquisadores. No entanto acho que alguns dos critérios de notoriedade que regulam a relevância ou não de um tema para ser aceito como verbete na Wikipedia precisam ser repensados. Em geral, existe uma dependência muito grande da repercussão em grandes veículos da impressa. Uma vez tentei fazer um verbete sobre o disco A Via Láctea do Lô Borges, mas a página foi sumariamente eliminada, segundo o editor não tinha indicação de importância (A5). Tentei argumentar, mas não rolou muita empatia…rs

A Dani Machado fez uma videoaula muito bacana sobre os “50 tons de desinformação entre o que é estritamente falso ou verdadeiro”, essa questão é tão complexa que nem ela escapou de cair na pegadinha do Orson Welles. Eu mesmo andei compartilhando por aqui um vídeo pensando que era uma informação local… não tá fácil, não…

Seja como for acho o fenômeno das fake news fascinante. Discuti bastante esse tema quando ministrei aulas no curso de jornalismo da PUC Minas. Tem uma reportagem impressionante do Fabio Victor na Folha de São Paulo, ele mostra o funcionamento de uma “fábrica” de fake news. Também vale assistir esse documentário da Globonews, as cenas com os meninos da Macedônia é inacreditável.

A pergunta da semana foi: Como podemos combater a desinformação?

Não sei se é possível combater a desinformação, mas acho que pelo menos devemos tentar reaprender a conviver com alguns paradoxos e ambivalências. Para mim a questão das fake news não pode ser compreendida sem um pouco de filosofia, afinal desde Platão que a gente tenta sair dessa caverna… Assim nesse artigo tentei elucidar o papel das mediações na forma como a gente se comunica e nesse outro tentei entender porque temos tanto medo do relativismo. Espero que esses textos ajudem no debate, pois como diz Caetano melhor do que o silêncio, só João.

Todos os colegas do curso estão postando suas respostas a essa questão nesse padlet.

Os recursos dessa etapa do curso (slides, textos, etc) estão reunidos aqui.

Aqui tem uma dica sobre como ativar as legendas dos vídeos em inglês.

Todas as etapas desse relato estão sendo agrupadas na tag #educação-midiática.

Extras

Vídeo novo do Google (ative a tradução automática das legendas).

Trilhões de perguntas, sem respostas fáceis: um filme (doméstico) sobre como funciona a Pesquisa Google
Como qualquer filme caseiro típico, este começou em um porão empoeirado com caixas de filmagens antigas. Algumas conversas em 2019, uma viagem de campo a um data center e uma parada inesperada em uma loja de hardware depois, tudo se juntou em uma história – nossa história. Como todos os filmes caseiros, há uma boa chance de que as únicas pessoas que vão desmaiar sejam as pessoas que estão nele. Mas, se você já se perguntou como a Pesquisa funciona ou está curioso para ver o que acontece nos bastidores, pode haver algo aqui para você também.

Postado originalmente em 27/10/2020

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