A importância da Educação Midiática e Digital

Semana passada aconteceu um evento mundial sobre Educação Midiática, promovido anualmente pela Unesco desde 2011. A relevância do tema cresce à medida que se multiplicam os desafios de lidar com os efeitos das mídias digitais, tanto nas escolas quanto em nossa própria rotina. Na pandemia, estamos experimentando mais intensamente essas mudanças. Seja na forma como estudamos, convivemos ou mesmo consumimos. 

No site do evento, é possível acompanhar debates e conhecer experiências de Educação Midiática ao redor do planeta. No Brasil, o projeto EducaMídia tem conseguido chamar a atenção sobre a importância da Educação Midiática. Ano passado, tive a oportunidade de fazer o curso de formação on-line e, este ano, tive o privilégio de participar como mentor do curso. Uma experiência que me ajudou a lapidar a proposta da minha própria iniciativa, a Oficina de Linguagens Digitais.  

Mas, afinal, o que é Educação Midiática? Muitas vezes, ela tem sido entendida como educar para a mídia, para nos proteger da mídia, para sabermos lidar com as mensagens da mídia. As primeiras tentativas sistematizadas de Educação Midiática começaram justamente na época em que se popularizaram mídias como o rádio e a televisão. Ou seja, por volta dos anos 60. Aqui, um parêntese importante, o próprio conceito de mídia tem sofrido mudanças ao longo dos anos. Hoje em dia, quase tudo pode ser mídia, desde jornais, roupas, embalagens, redes sociais, celulares, geladeiras, etc.  

Nessa etapa inicial, a principal estratégia da Educação Midiática era denunciar as tentativas de manipulação e controle que as grandes empresas de mídia poderiam estar arquitetando para dominar nossas mentes e promover o consumo de produtos e ideias. Portanto, o uso dessas mídias deveria ser evitado no ambiente escolar. 

A Educação Midiática também pode ser entendida como uma forma de educar com a mídia, para que todos possam usar recursos midiáticos, expressar-se, exercer sua cidadania. Nos anos 80, surgem os primeiros computadores pessoais e equipamentos eletrônicos mais baratos, como as câmeras de filmar em VHS. Assim, a produção e criação de produtos midiáticos começou a se aproximar das salas de aula. Já não se tratava apenas de analisar as mensagens da mídia, enquanto consumidores, mas sim dominar sua linguagem e criar suas próprias produções. 

No entanto, foi com a explosão da Internet e das tecnologias digitais, nos anos 90, que se popularizaram as novas formas de acessar, criar e compartilhar informações. Foi quando nasceu a cultura digital, trazendo junto uma nova linguagem, novas práticas, novas formas de pensar e conviver. Com isso, a realidade mudou e agora precisamos todos nos alfabetizar digitalmente, nos aproximar dessa nova linguagem como quem chega em um novo país. 

Essas mudanças também afetam a Educação Midiática. Como educar quem carrega no bolso todo o conhecimento que já foi produzido pela humanidade? Se hoje basta dar um Google para tirar quase todas as nossas dúvidas. Não se trata mais de transmitir informações, mas, sim, de buscar formas de qualificar o acesso a essas informações. Estimulando uma dieta informacional diversificada, abrindo o caminho para uma forma mais autônoma de aprendizagem.

A Educação Midiática pode nos ajudar a pensar sobre liberdade de expressão, acesso ao conhecimento, combate à desinformação e à intolerância, além de estimular uma forma mais cuidadosa de leitura, interpretação e criação de mensagens midiáticas. 

Hoje vivemos um ecossistema midiático extremamente complexo e desafiador. Quem não se espanta com a velocidade das mudanças ao nosso redor?  Toda hora surge um celular novo, um aplicativo imperdível, uma nova rede social, um novo game. Com isso, precisamos estar sempre nos atualizando. Esse é um processo muito cansativo se toda essa mudança não fizer sentido para nós. Mas se estivermos dispostos a acompanhar as mudanças de forma equilibrada, sem pressa, tentando aproximar os mais jovens dos mais velhos, buscando reconstruir as pontes da confiança e do diálogo, essa constante reinvenção pode ser construtiva. 

Por isso acredito que a Educação Midiática deve ser complementada com estratégias lúdicas e criativas de alfabetização digital. O que pode significar uma nova era na educação, muito mais democrática, diversa e divertida. Por que não?

Nas próximas colunas iremos tratar de alguns desses temas. 

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Andre Stangl – Ouro Preto-MG, publicado em 30/10/2021
Filósofo e Educador Digital – Doutor em Comunicação (ECA/USP)
Coordenador da Oficina de Linguagens Digitais

Essa coluna também foi publicada em texto (link)
e áudio (link) na Agência Primaz no dia 01/11/2021.

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