Há algo novo acontecendo na forma como pensamos, lemos e escrevemos.
Não se trata apenas de uma “nova ferramenta”, mas de uma mudança mais profunda: a emergência de sistemas capazes de participar do processo de produção de conhecimento. A inteligência artificial generativa — especialmente os modelos de linguagem — introduz um novo tipo de mediação entre o pesquisador e o texto. Escrever, hoje, pode ser uma coescrita.
Ao mesmo tempo, esse movimento começa a ser reconhecido institucionalmente. As novas diretrizes do CNPq (link) apontam para a necessidade de uso responsável e transparente da inteligência artificial na pesquisa, reforçando princípios como autoria, rastreabilidade e integridade científica. Ou seja, não se trata de proibir ou evitar essas tecnologias, mas de aprender a utilizá-las de forma crítica, situada e eticamente orientada.
É nesse contexto que desenvolvi a proposta desse curso e da mentoria em coescrita e pesquisa acadêmica com IA.
Da ferramenta à mediação
Durante muito tempo, tecnologias digitais foram pensadas como instrumentos: buscadores, editores de texto, bases de dados. Com os modelos de linguagem, a situação muda.
O que está em jogo na pesquisa acadêmica
A introdução da IA no campo acadêmico levanta questões importantes:
- Como fazer leitura e revisão bibliográfica com IA?
- Como organizar referências e construir argumentos?
- Como usar IA sem perder rigor, autoria e responsabilidade?
- Onde estão os limites éticos e epistemológicos?
A proposta não é substituir o pesquisador, mas reconfigurar o seu papel.
A IA pode atuar como:
- apoio à leitura e síntese
- organizadora de contexto
- assistente de escrita
- ferramenta de experimentação conceitual
Mas sempre como mediação — nunca como substituição do pensamento.
Curso: teoria e prática orientada (8h)
O curso foi desenhado como uma introdução estruturada ao uso da IA na pesquisa acadêmica.
Eixos principais
- Uso do ChatGPT na leitura e escrita acadêmica
- Engenharia de contexto (como “conversar” com o modelo)
- Organização de bibliografia
- Limites e possibilidades da pesquisa com IA
- Diferença entre uso superficial e uso reflexivo
Referências conceituais
O curso articula prática com base teórica, incluindo:
- Ethan Mollick
- Luciano Floridi
- Pierre Lévy
- Bruno Latour
- Yuk Hui
A ideia é equilibrar prática + reflexão.
Mentoria: aplicação direta na pesquisa
Além do curso, estou oferecendo mentoria individual, voltada para quem deseja aplicar essas estratégias diretamente em seu trabalho.
Para quem é mais indicada
- estudantes de mestrado e doutorado
- pesquisadores
- professores
O que trabalhamos
- organização de textos e capítulos
- uso da IA como tutor de escrita
- revisão e estruturação argumentativa
- criação de fluxos de trabalho com IA (incluindo RAG simples)
Importante:
A mentoria não é orientação acadêmica formal — não avalio objeto, metodologia ou bibliografia. O foco é a IA como forma de mediação no processo de pesquisa e escrita.
Uma nova ecologia da escrita
Talvez estejamos entrando em uma nova fase da cultura escrita.
Se antes o desafio era acessar informação, hoje o desafio é organizar, interpretar e dialogar com sistemas que também produzem texto.
A coescrita com IA não elimina o autor — mas exige um autor diferente:
- mais consciente das mediações
- mais atento ao contexto
- mais responsável pelas escolhas
Em outras palavras: menos executor, mais curador e articulador.
Informações
Curso (8h)
Formato online
Datas: 21, 23, 28 e 30 de abril
Vagas limitadas
Valor: R$ 450
Inscrições via Sympla (link)
Mentoria individual (ou grupo pequeno)
Formato online
Valor: R$ 250 – 1h30
Formulário de contato (link)
Não apenas sobre o que a IA faz, mas sobre o que fazemos com ela — e o que ela faz conosco.
